Não Saia da Festa Antes do Final

Quando adolescente, morava em uma cidadezinha do interior que não tinha nenhum tipo de lazer, a não ser as festinhas no clube. Eu adorava e não perdia nenhuma, mas não ia para dançar, sempre passava direto para o ringue (é, se chamava assim), onde ficava sentada no chão tomando uma cervejinha e batendo papo com os amigos. Era a oportunidade de ver os amigos. Nunca saí de uma festa antes do final, por pior que fosse ela, eu sempre achava e esperava, que a qualquer momento, algo especial fosse acontecer... poderia ser que o conjunto tocasse uma música que eu gostava, um carinha legal poderia me chamar para dançar, enfim, esperava os últimos acordes da banda para poder ir embora. E se nada de interessante acontecesse eu ia embora achando que a próxima festa seria diferente.
Hoje, não mais uma adolescente, depois de muitos desenganos, muitos abandonos, muitas frustrações, desenvolvi uma doença chamada Síndrome do Pânico, que vem sempre acompanhada de episódios de depressão. Quando as crises acontecem com uma certa frequência, penso q não vou suportar, que melhor seria morrer, mas aí as crises passam, demoram às vezes dias, meses, mas um dia passam... E quando passam como é bom estar vivo!! E assim vou vivendo, do mesmo modo que nos bailinhos da minha adolescência, sempre achando que algo especial ainda vai acontecer. E eu vejo esse algo especial acontecendo no sorriso sem dentes do meu neto, no beijo de bom-dia que minha filha me dá todos os dias às seis da manhã antes de ir ao colégio, quando minha filha mais velha, com qm tive um relacionamento conflituoso durante muito tempo, olha prá mim e me diz q sou "sua melhor amiga". Então, por pior que possa parecer estar a vida, não saio dela ante que a banda toque os acordes finais, afinal até o último minuto algo ainda pode mudar, quem sabe a banda ainda toca minha música favorita...
Ah, aquele 'carinha especial' apareceu e me chamou para dançar e continuamos juntos, mesmo depois do baile!!

Rose Mary 06.11.2006

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