Eu sou o que penso

Quem sou eu? Eu sou aquilo que penso e não sou meu corpo. Mas meu corpo é meu, assim como são minhas as minhas cicatrizes, minhas estrias... elas fazem parte da minha história, mas não são eu. Mas afinal quem sou EU? Eu penso... como na máxima cartesiana... então eu existo porque penso!! Você já se perguntou alguma vez como era o Mestre Jesus, Buda, Nietzsche, Sartre, Descartes, Gandhi? Será que Descartes seria mais genial se tivesse olhos azuis faiscantes e fosse dono de um abdome tanquinho e bíceps e tríceps bem definidos? E as pernas? Ah... as pernas por certo teriam que ser longas, fortes, torneadas... bom aí eu penso: estou falando de Descartes ou de Adônis, ou é mesmo de Narciso? O que eu sei sobre o tal do Adônis, além de que era um belo exemplar da beleza grega, um verdadeiro deus? E Narciso, que não conseguiu viver e conviver com os simples mortais, não tão belos quanto ele e sucumbiu diante de sua própria beleza? Eram somente belos corpos? Daqui a 20 anos meus netos vão perguntar: Mãe, como era minha vó? E o que ela vai responder?
_ Olha sua vó, era assim, nem alta, nem baixa, em torno de 163cm, tinha tempos que era bem magrinha, noutros engordava (seu peso ideal era 60kg), às vezes tinha cabelos pretos e olha que outras vezes ela era loira... nossa vai dar um nó na cabeça das crianças!! Mas se ela disser: Sua vó? Era uma louca, irresponsável, não pensava em termos de futuro e coisa e tal. Ou ela pode dizer: Sua vó? Era uma guerreira, amava suas duas filhas tanto, mais tanto, assim como amo vocês. Quando o Gabriel nasceu ela venceu uma depressão que a consumia havia anos e descobriu que podia tudo. Ela era uma louca, com 49 anos resolveu acreditar num sonho e foi viver com um rapaz que era 30 anos mais novo que ela e com ele descobriu que podia muito mais ainda. Aí ela se tornou até adepta de esportes radicais. Fazia rafting, rapel, canoagem, viajava pra lá e prá cá, e ela descobriu que era possível ser feliz!! Ensinou para suas filhas que o importante era o Ser, em detrimento do Ter. Apresentou para elas pessoas como Sartre, Nietzsche, Foucoualt... olha que ela andava cercada de bons amigos!! Ensinou que era preciso saber para poder ser e que elas podiam ser o que quisessem.Aí sim, eles vão ter uma idéia ou melhor uma certeza, de quem era a vó deles.
Rose Mary, 08.10.2008
Quero

Quero você
nos meus braços
nos meus beijos
no meu leito
nos meus becos
Quero você
Todo em mim
Pra mim...
Rose Mary, 26.01.1981
Teimosia
Cortaram-me os braços
com os tocos abraço
Furaram-me os olhos
com o coração eu vejo
Trituraram-me o cérebro
é bom, não penso
Quebraram-me as pernas
não ando, rastejo
Dilaceraram-me as carnes
ficaram os ossos
Tiraram-me da vida o prazer
tenho o gozo
Cortaram-me da boca a língua
emito sons grotescos
Que lhes deixam loucos
Rose Mary, 28.01.1981
com os tocos abraço
Furaram-me os olhos
com o coração eu vejo
Trituraram-me o cérebro
é bom, não penso
Quebraram-me as pernas
não ando, rastejo
Dilaceraram-me as carnes
ficaram os ossos
Tiraram-me da vida o prazer
tenho o gozo
Cortaram-me da boca a língua
emito sons grotescos
Que lhes deixam loucos
Rose Mary, 28.01.1981
Busca

Vejo você
Em cada rosto
Em cada sorriso
Procuro você
Em cada palavra
Em cada carinho
Não encontro você
Em cada abraço
Em cada beijo
Em cada leito...
Rose Mary, 26.01.1981
Um Espaço
Leia o que não digo
Numa página vazia
Você me perguntaria
Por que uma página
Em branco
E eu lhe responderia
No espaço em branco
No vazio da página
Expresso todos os
Meus sentimentos
Rose Mary, 04.12.1980
Numa página vazia
Você me perguntaria
Por que uma página
Em branco
E eu lhe responderia
No espaço em branco
No vazio da página
Expresso todos os
Meus sentimentos
Rose Mary, 04.12.1980
Um Brinde
Agora, gostaria de fazer
Um brinde
Queria brindar com você
Um brinde
Ao amor, ao nosso amor
Aos momentos loucos
Que juntos passamos
Às promessas, às juras secretas
Queria brindar com você
Mas, você já dorme cansado
Então faço sozinha meu brinde
Um brinde ao cansaço
Ao merecido repouso
Do meu amado e louco
Guerreiro
Rose Mary, 04.12.1980
Amor e Orgasmo

Suspiros e gemidos
Entrecortados
Braços que se abraçam
Bocas que se unem
Em beijos loucos
Corpos que estremecem
Músculos que se contraem
E se retraem
Palavras que saem
Sem saber o que se fala
Palavras que se ouve
E não se entende
Como num toque
Louco ou mágico
Tudo se mistura
Uma bola de fogo
Ou de neve percorre
Todo o corpo
Perde-se os sentidos
Como se desfalecesse
Os olhos dilatam
Na cabeça giram mil pensamentos
Como numa roda-gigante
Depois, o corpo se torna
Exausto e gratificado
A respiração, antes ofegante
Começa a voltar ao normal
O coração ainda bate
Acelerado, descompassado
O suor molha todo o corpo
Novos suspiros, longos gemidos
O cansaço e a paz
Trazem agora o sono
No ar, um cheiro doce e suave
Um cheiro de amor
Que exala dos corpos
Rose Mary, 01.12.1980
Livres e Naturais

Um cavalo selvagem
Solto no pasto
Pasto verde como a paz
Um céu azul
A liberdade, a natureza
Você selvagem
Solto no pasto...
Eu, minha paz
Nossa liberdade
Um gaita, uma lua
Ou quem sabe
Num dia sem sol
Numa noite sem lua
A chuva caindo
A chuva... na vitrola
Um disco de Dylan
Você no tapete, eu...
Os grilos lá fora
Nosso amor cá dentro
Nossa fúria
A vida sorvida
Em grandes goles
Matando nossa sede
Sede de viver, de amar
De ser livre
Rose Mary, 03.05.1978
Ícaro
Um dia ele criou asas
E pode voar, e voou
Voou longe, bem longe
Além das nuvens
Além dos sentimentos
E de repente se sentiu
Preso, muito preso e só
Tornara-se prisioneiro
Do seu vôo
Da sua liberdade
Rose Mary
E pode voar, e voou
Voou longe, bem longe
Além das nuvens
Além dos sentimentos
E de repente se sentiu
Preso, muito preso e só
Tornara-se prisioneiro
Do seu vôo
Da sua liberdade
Rose Mary
Coisas
Você está em mim
Seu olhar, seu sorriso
Seu jeito gozado de ser
Tudo...
Nas pequeninas coisas
Você está em mim
Sua inconstância, sua liberdade
Você está presente
Em tudo que faço
Que falo, que gosto
Em tudo...
Rose Mary 1978
Seu olhar, seu sorriso
Seu jeito gozado de ser
Tudo...
Nas pequeninas coisas
Você está em mim
Sua inconstância, sua liberdade
Você está presente
Em tudo que faço
Que falo, que gosto
Em tudo...
Rose Mary 1978
Sua Ausência
Café frio
Cigarro apagado
Sono sem sonhos
Dia sem sol
Noite sem lua
Eu sem você
Minha presença
Sua ausência
É assim...
Rose Mary 02.05.1978
Cigarro apagado
Sono sem sonhos
Dia sem sol
Noite sem lua
Eu sem você
Minha presença
Sua ausência
É assim...
Rose Mary 02.05.1978
Foi Belo
Você surgiu na minha vida
Como um raio de luz
E iluminou as trevas
Que eram minha vida
Amei você, sim eu o amei
Meu raiozinho de amor
Mas, inevitavelmente, a dor
Surgiu e eu me entreguei
Sonhei tanto, tão alto
Mas a dor veio num salto
Acabar com o sonho meu
E agora estamos sós
Sofro demais por nós
Mas foi belo amar você
Rose Mary 1978
Como um raio de luz
E iluminou as trevas
Que eram minha vida
Amei você, sim eu o amei
Meu raiozinho de amor
Mas, inevitavelmente, a dor
Surgiu e eu me entreguei
Sonhei tanto, tão alto
Mas a dor veio num salto
Acabar com o sonho meu
E agora estamos sós
Sofro demais por nós
Mas foi belo amar você
Rose Mary 1978
Canto para Amantes
Vem, que os grilos
Cantarão por nós
E nos lagos vão
Se formar lindas orquestras
Rãs, sapos, pererecas...
Todos os bichos se unirão
E vão cantar para nós
E os mosquitos deixarão
Que durmam as pessoas
Para que só eles
Sejam testemunhas
De nós, de nosso amor
E quando nos amar-mos
Todos os animais
Nos aplaudirão de pé
Porque só eles entenderão
Que nos amamos
E como isto é puro
Rose Mary 1978
Cantarão por nós
E nos lagos vão
Se formar lindas orquestras
Rãs, sapos, pererecas...
Todos os bichos se unirão
E vão cantar para nós
E os mosquitos deixarão
Que durmam as pessoas
Para que só eles
Sejam testemunhas
De nós, de nosso amor
E quando nos amar-mos
Todos os animais
Nos aplaudirão de pé
Porque só eles entenderão
Que nos amamos
E como isto é puro
Rose Mary 1978
Quadro Morto
Nos seus lábios
Bailava ainda um sorriso
Tinha as mãos crispadas
E as unhas cravadas
No chão como se quisesse
Segurar ali a vida
Seu corpo coberto
De uma nudez
Que o tornava belo
Como adorno, duas pulseiras
Ornamentando seu braço
Moreno e delicado
Seus cabelos caiam-lhe
Pelos ombros desordenadamente
Emoldurando o belo quadro
E eram a única nota viva
Seus cabelos esvoaçando
Ao sabor dos ventos
Como se quisesse brincar...
Para Cláudia Lessin Rodrigues
Rose Mary 24.04.1978
Bailava ainda um sorriso
Tinha as mãos crispadas
E as unhas cravadas
No chão como se quisesse
Segurar ali a vida
Seu corpo coberto
De uma nudez
Que o tornava belo
Como adorno, duas pulseiras
Ornamentando seu braço
Moreno e delicado
Seus cabelos caiam-lhe
Pelos ombros desordenadamente
Emoldurando o belo quadro
E eram a única nota viva
Seus cabelos esvoaçando
Ao sabor dos ventos
Como se quisesse brincar...
Para Cláudia Lessin Rodrigues
Rose Mary 24.04.1978
Medo
A luz estava apagada
E ela sentiu medo
Levantou-se e acendeu
A luz
Deitou-se e dormiu
Sonhou... sonhou que
A luz estava apagada
E ela não tinha
Mais medo
Rose Mary
E ela sentiu medo
Levantou-se e acendeu
A luz
Deitou-se e dormiu
Sonhou... sonhou que
A luz estava apagada
E ela não tinha
Mais medo
Rose Mary
Chuva
Primeiro,
Um raio de luz
Cruzou os céus
Depois
O ribombar do trovão
Se fez ouvir, forte
Fazendo estremecer
O seio da terra
Fez-se um silêncio enorme...
E a chuva caiu
Mansa, muito mansa
E molhou-me os pés
Rose Mary
Um raio de luz
Cruzou os céus
Depois
O ribombar do trovão
Se fez ouvir, forte
Fazendo estremecer
O seio da terra
Fez-se um silêncio enorme...
E a chuva caiu
Mansa, muito mansa
E molhou-me os pés
Rose Mary
Tristeza
Passam-se as horas
E tu não vens
E eu sempre esperando
No relógio do tempo
As horas passam arrastando-se
O tempo parece arrastar-se
Manso, triste e tímido
Meu coração acompanha
O ritmo do tempo
O céu cobre as estrelas
Com um manto de tristeza
E elas choram...
Choram como eu, sós
Tudo se torna chato
Chato e só, tudo
Parece chover em mim
No céu, chuva fria
Fria e doída
Como tua ausência
Rose Mary 1979
E tu não vens
E eu sempre esperando
No relógio do tempo
As horas passam arrastando-se
O tempo parece arrastar-se
Manso, triste e tímido
Meu coração acompanha
O ritmo do tempo
O céu cobre as estrelas
Com um manto de tristeza
E elas choram...
Choram como eu, sós
Tudo se torna chato
Chato e só, tudo
Parece chover em mim
No céu, chuva fria
Fria e doída
Como tua ausência
Rose Mary 1979
Sistema
Abra a boca
Deixe que eu
Leia a sua mente
Você está louco!
Louco, muito louco
Sonha com a
Liberdade, liberdade
Liberdade, liberda
Liber,
Liberdade?
Rose Mary 1979
Deixe que eu
Leia a sua mente
Você está louco!
Louco, muito louco
Sonha com a
Liberdade, liberdade
Liberdade, liberda
Liber,
Liberdade?
Rose Mary 1979
Vem
Vem,
Deixa eu te levar
Pelos caminhos que
Só eu conheço
Você verá, eles são lindos
Vem, me dê a mão
Deixa eu te guiar
Não perguntes nada
Só me abrace...
Não, não tenhas medo
Se dê por inteiro
Deixa só eu te amar
À minha maneira
Rose Mary 1979
Deixa eu te levar
Pelos caminhos que
Só eu conheço
Você verá, eles são lindos
Vem, me dê a mão
Deixa eu te guiar
Não perguntes nada
Só me abrace...
Não, não tenhas medo
Se dê por inteiro
Deixa só eu te amar
À minha maneira
Rose Mary 1979
Fantasia e Realidade
Haverá lua
Quando ele chegar
E um céu muito azul
Lindo...
E nossas mãos
Se encontrarão
Nossos corpos
Se unirão num abraço
Haverá estrelas
Que não serão lágrimas
Mas, sim sorrisos
E então, juntos
Sonharemos
Rose Mary 1979
Quando ele chegar
E um céu muito azul
Lindo...
E nossas mãos
Se encontrarão
Nossos corpos
Se unirão num abraço
Haverá estrelas
Que não serão lágrimas
Mas, sim sorrisos
E então, juntos
Sonharemos
Rose Mary 1979
Furacão
Ele vinha feito furacão
Quente, audacioso, envolvente
E tocou no seu corpo inerte
E ela estremeceu ao contato
Levantou-se e deslizou no ar
Dançou... uma dança grotesca
Começou lentamente, calma
Depois foi aumentando o ritmo
Nos últimos espasmos da loucura
Girou frenética no ar e caiu
E agora jazia cansada
Havia feito uma grande viagem
Na sua viagem chegara longe
Aos céus
Rose Mary 1979
Quente, audacioso, envolvente
E tocou no seu corpo inerte
E ela estremeceu ao contato
Levantou-se e deslizou no ar
Dançou... uma dança grotesca
Começou lentamente, calma
Depois foi aumentando o ritmo
Nos últimos espasmos da loucura
Girou frenética no ar e caiu
E agora jazia cansada
Havia feito uma grande viagem
Na sua viagem chegara longe
Aos céus
Rose Mary 1979
Eu
Um dia eu, terra árida
Fui estudada, observada
E resolveram me cultivar
Fui arada, regada, preparada
No fim de quatro dias
Estava pronta para receber a semente a semente
em mim, terra agora fértil
Foi colocada com cuidado
A sementinha...
E ela brotou linda e viçosa
Seus galhos, um dia brôtos
Se espalharam em busca
De mais sol, mais ar e céu
Ela cresceu muito, muito
E transformou-se de bem em amor
E quando eu, velha terra
Sua amante, pensei tê-la presa
Nas profundezas do meu ser
Suas raízes desprenderam-se
E a sementinha, um dia criança
Agora já planta, amadurecida
Foi procurar outra terra
Outro coração
E lá depositou seus belos frutos
E eu, velha terra, um dia amada
Agora abandonada, fechei-me para sempre
Tornei-me estéril
Nunca mais amei
Rose Mary, 1979
Fui estudada, observada
E resolveram me cultivar
Fui arada, regada, preparada
No fim de quatro dias
Estava pronta para receber a semente a semente
em mim, terra agora fértil
Foi colocada com cuidado
A sementinha...
E ela brotou linda e viçosa
Seus galhos, um dia brôtos
Se espalharam em busca
De mais sol, mais ar e céu
Ela cresceu muito, muito
E transformou-se de bem em amor
E quando eu, velha terra
Sua amante, pensei tê-la presa
Nas profundezas do meu ser
Suas raízes desprenderam-se
E a sementinha, um dia criança
Agora já planta, amadurecida
Foi procurar outra terra
Outro coração
E lá depositou seus belos frutos
E eu, velha terra, um dia amada
Agora abandonada, fechei-me para sempre
Tornei-me estéril
Nunca mais amei
Rose Mary, 1979
Mel de Arsênico
Meu corpo
é fruto proibido
Meu coração
uma cilada
Meus braços
são como tentáculos
envolvem e ferem
Meus lábios
possuem o veneno
Minhas palavras
são como chicotadas
Sou toda uma praga
um grande mal
necessário
Rose Mary, 16.02.81
é fruto proibido
Meu coração
uma cilada
Meus braços
são como tentáculos
envolvem e ferem
Meus lábios
possuem o veneno
Minhas palavras
são como chicotadas
Sou toda uma praga
um grande mal
necessário
Rose Mary, 16.02.81
Me encontro, perdendo-me
Vou me encontrar
nos teus abraços
saciar meus desejos
embebedar-me de carinhos
entregar-me aos teus
devaneios loucos, às
tuas ardentes vontade
abrandar o fogo que
me queima as entranhas
afogando-me no teu gozo
quero ser fêmea, abatida
quero ser bicho, saciado
vou me encontrar
nos teus braços
e me perder na
obscuridão do nosso caso
Rose Mary 30.01.81
nos teus abraços
saciar meus desejos
embebedar-me de carinhos
entregar-me aos teus
devaneios loucos, às
tuas ardentes vontade
abrandar o fogo que
me queima as entranhas
afogando-me no teu gozo
quero ser fêmea, abatida
quero ser bicho, saciado
vou me encontrar
nos teus braços
e me perder na
obscuridão do nosso caso
Rose Mary 30.01.81
Sede

Quero que tuas mãos
percorram-me todo o corpo
que teus beijos loucos
saciem dos meus lábios o desejo
Quero que tua boca
percorra todos os meus caminhos
minhas matas, meus charcos...
que teus olhos sedentos
se embebam com a visão
do meu corpo nú
Quero tremer de desejo
delirar de prazer
ao seu suave contato
Quero mil beijos ardentes
olhares apaixonados, gemidos...
quero ouvir sua voz rouca
dizendo-me loucuras
na meia-luz do nosso quarto
Rose Mary 30.01.81
Uma certa cozinha...
Já passa das 11:25min e o fogão continua lá, com suas bocas frias, sem panelas e eu me lembro de uma outra cozinha, onde àquela hora, com certeza o fogão estaria repleto de panelas exalando seus cheiros pelo ar e haveria o movimento de pessoas entrando e saindo da cozinha, um jeito tão doce de família. Uns, acabando de acordar, tomavam seu café da manhã ainda com suas caras de sono, outros que já sentavam e aguardavam o almoço, perguntando a ele se “ainda vai demorar”. Transporto-me em pensamento e volto àquela cozinha que está lá, tão distante e sinto meus olhos úmidos. Sinto saudades dos cheiros, das vozes, dos risos, dos gritos e daquela comida que me alimentava a alma...Quem sou eu hoje, agora? Um endereço, um número, uma certa casa rosada, uma cozinha e uma saudade infinita.
Rose Mary 25.02.2008
Raísa, minha filha
Um dia, eu, corpo curvado, olhando pra baixo, segurava sua mão... vc dava seus primeiros passos e eu precisava lhe proteger das quedas, dos arranhões... hj continuamos a caminhar juntas e eu nw preciso mais olhar pra baixo, nw preciso mais curvar o corpo em sua direção... aprendi q nw posso mais impedir q vc caia, mas posso segurar forte sua mão, lhe ajudar a levantar, cuidar dos seus arranhões e lhe incentivar a seguir em frente... sempre!! Amo vc e só peço ao Grande Pai/Mãe q eu possa seguir, por esta estrada, de mãos dadas com vc, ainda por um longo tempo...Rose Mary 15.09.2008
Não Saia da Festa Antes do Final
Quando adolescente, morava em uma cidadezinha do interior que não tinha nenhum tipo de lazer, a não ser as festinhas no clube. Eu adorava e não perdia nenhuma, mas não ia para dançar, sempre passava direto para o ringue (é, se chamava assim), onde ficava sentada no chão tomando uma cervejinha e batendo papo com os amigos. Era a oportunidade de ver os amigos. Nunca saí de uma festa antes do final, por pior que fosse ela, eu sempre achava e esperava, que a qualquer momento, algo especial fosse acontecer... poderia ser que o conjunto tocasse uma música que eu gostava, um carinha legal poderia me chamar para dançar, enfim, esperava os últimos acordes da banda para poder ir embora. E se nada de interessante acontecesse eu ia embora achando que a próxima festa seria diferente.
Hoje, não mais uma adolescente, depois de muitos desenganos, muitos abandonos, muitas frustrações, desenvolvi uma doença chamada Síndrome do Pânico, que vem sempre acompanhada de episódios de depressão. Quando as crises acontecem com uma certa frequência, penso q não vou suportar, que melhor seria morrer, mas aí as crises passam, demoram às vezes dias, meses, mas um dia passam... E quando passam como é bom estar vivo!! E assim vou vivendo, do mesmo modo que nos bailinhos da minha adolescência, sempre achando que algo especial ainda vai acontecer. E eu vejo esse algo especial acontecendo no sorriso sem dentes do meu neto, no beijo de bom-dia que minha filha me dá todos os dias às seis da manhã antes de ir ao colégio, quando minha filha mais velha, com qm tive um relacionamento conflituoso durante muito tempo, olha prá mim e me diz q sou "sua melhor amiga". Então, por pior que possa parecer estar a vida, não saio dela ante que a banda toque os acordes finais, afinal até o último minuto algo ainda pode mudar, quem sabe a banda ainda toca minha música favorita...
Ah, aquele 'carinha especial' apareceu e me chamou para dançar e continuamos juntos, mesmo depois do baile!!
Hoje, não mais uma adolescente, depois de muitos desenganos, muitos abandonos, muitas frustrações, desenvolvi uma doença chamada Síndrome do Pânico, que vem sempre acompanhada de episódios de depressão. Quando as crises acontecem com uma certa frequência, penso q não vou suportar, que melhor seria morrer, mas aí as crises passam, demoram às vezes dias, meses, mas um dia passam... E quando passam como é bom estar vivo!! E assim vou vivendo, do mesmo modo que nos bailinhos da minha adolescência, sempre achando que algo especial ainda vai acontecer. E eu vejo esse algo especial acontecendo no sorriso sem dentes do meu neto, no beijo de bom-dia que minha filha me dá todos os dias às seis da manhã antes de ir ao colégio, quando minha filha mais velha, com qm tive um relacionamento conflituoso durante muito tempo, olha prá mim e me diz q sou "sua melhor amiga". Então, por pior que possa parecer estar a vida, não saio dela ante que a banda toque os acordes finais, afinal até o último minuto algo ainda pode mudar, quem sabe a banda ainda toca minha música favorita...
Ah, aquele 'carinha especial' apareceu e me chamou para dançar e continuamos juntos, mesmo depois do baile!!
Rose Mary 06.11.2006
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